quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Lembranças.

Estive passeando pelos meus backups e encontrei vários momentos da minha vida ali. Uma coisa que sempre foi presente e acabei deixando bastante de lado foi meu hábito de escrever durante a madrugada.

Neste momento estou ouvindo a trilha sonora de Sons of Anarchy, uma das minhas séries favoritas. No principio eu gostava de escrever ouvindo Pink Floyd, vou mudar a trilha aqui, só um minuto.


Era como um ritual. Eu preparava uma bebida que eu chamava de café gelado, composta por um litro de leite e um copo de café, tudo isso com umas 10 pedras de gelo - eu faria isso agora se não fossem os problemas de ansiedade e insônia -.

Meu método de escrita, depois fui descobrir que existem técnicas para tal, era bem simples. Eu só jogava umas duas primeiras palavras sobre um assunto e escrevia conforme as ideias batiam na minha cabeça. Por isso se você for ler os primeiros textos do blog vai notar que os assuntos eram extremamente rasos e mal desenvolvidos. Pelo menos minhas notas de português na época eram as maiores da minha turma.

Além deste blog, creio que uns meses antes, existia um site chamado kinhozzz.com.br, hoje já não existe mais. Era um refúgio mental, simplesmente postava sobre assuntos desconexos numa página de html puro com alguns gifs de gordos caindo, era ridículo e maravilhoso.

Vendo isso tudo hoje, de fora, minha rotina tinha um padrão. Eu tinha as ideias claras e conseguia suprir minhas expectativas. Por isso carrego o número 17 tatuado no braço, a idade que eu tinha neste período. Sei que hoje são tempos políticos e que posso apanhar na rua por conta disso, mas eu cago pra politica atualmente.

O ponto no qual quero chegar é que durante minha adolescência eu acreditei que minha infância havia sido boa, e foi. Porém o fato de enxergar tudo cinza e sem vida fez com que eu acreditasse que os melhores dias da minha vida estavam entre os meus 6 e 10 anos de idade. Com 17 anos eu não conseguia pensar no quanto era bom conseguir sair com a garota que eu quisesse, não ter responsabilidades forçadas impostas a mim, estudar e trabalhar com o que eu gostava, ouvir o que eu queria quando eu queria e tudo mais.

Hoje, com quase 23 anos vejo que eu estava errado, meus 17 foram melhores que os 10, e tenho certeza que meus 23 serão melhores que os 17 e... Espera um minuto, não é uma competição! Temos momentos bons e momentos ruins em vários períodos da vida.

Recentemente tive que trancar minha faculdade por conta do meu trabalho, não foi um esforço muito grande, não me encontrei totalmente no que eu estava estudando. No dia que pisei na universidade e saí da secretaria com o protocolo de trancamento na mão me bateu um aperto no peito enorme. Talvez os piores dias da minha vida eu tenha passado dentro daquela faculdade, isso foi um dos motivos de ter sido uma decisão fácil de tomar. Pensei um pouco e descobri que haviam momentos bons que vivi ali e naquele momento tive uma onda de pensamentos, sentei no banco que eu costumava fumar um cigarro antes de entrar na aula e refleti sobre isso.

O objetivo da vida de cada um é estabelecido pela própria pessoa que a vive. Fato! Mas existe um objetivo em comum dentro de todo mundo que ainda respira, formar boas lembranças. Vou explicar.

Eu vivi de 2015 pra cá pensando "nossa, meu presente é uma bosta, minha adolescência era muito melhor, saudades de quem eu era..." e acabei esquecendo de viver o presente. Hoje eu olho pra trás e vejo que esse período (2015 - hoje) foi o que originou as melhores lembranças da minha vida. Isso mesmo, meus amigos, provei pra mim mesmo que estive errado.

O objetivo em comum na vida de todo mundo não é ter bens materiais ou acumular experiência em algo, isso é um objetivo pessoal. O "X" da questão é focar no presente, viver o que a vida te oferece e aproveitar o máximo disso. Sua infância foi uma boa ou ruim? Sua adolescência foi boa ou ruim? Não importa, já passou. Devemos viver o presente sem comparar com o quão bom ou ruim foi o passado ou nas consequências que seu passado terá no seu futuro.

Espero daqui uns 10 anos olhar pra trás, nos meus backups, e ver o quão bom era morar sozinho, ter poucos móveis e ter esse sentimento que estou tendo agora.

Não é pra comparar, é pra viver.